Mostra
fotográfica DOPO L’ALBA ( Depois do Amanhecer )
Os
impostos eram escorchantes. O grão importado esmagava a
pequena produção do camponês vergado pelo
aluguel da terra. A gleba minúscula não sustentava
a família rural, já pequena. A manufatura e a indústria
destruíam o artesanato camponês, sem abrir postos
suficientes para o trabalhador expulso do campo. A luta pela terra
não conseguia se impor.
Havia que abandonar a velha pátria, amada mãe ingrata,
em busca de melhor destino, onde o suor regasse os frutos do trabalho
honesto. Adultos, anciões, crianças. Pacotes com
roupas, ferramentas, sementes. Recordações, línguas,
canções. A tralha toda de uma família de
trabalhadores rurais pobres que partem para jamais voltar.
Dezenas de milhares de famílias, chegadas das montanhas,
dos vales e das planícies do nordeste italiano embarcando,
com o coração nas mãos, para a longa travessia
que levaria ao final do Brasil. A viagem multitudinária
iniciou-se em 1874, logo após a unificação
da Itália, e interrompeu-se, em 1914, às portas
da Grande Guerra.
Rio Grande do Sul. A terra era farta, o preço, acessível.
As matas foram abatidas, levantaram-se rústicos abrigos
e, a seguir, as residências definitivas. Em madeira, e não
em pedra! As primeiras roças deram frutos com espantosa
abundância. Era a terra da cocanha, onde o agricultor aplacaria
a fome e construiria um lugar seguro para si e sua família.